quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

MINISSÉRIE SOBRE LUIZ GONZAGA É SUCESSO NA TELINHA DA GLOBO.


Luiz Gonzaga e GonzaguinhaLuiz Gonzaga e Gonzaguinha, pai e filho, se encontram e se perdem muitas vezes até se conhecerem de verdade.
Por Paulo Nailson*
A história dos dois será contada em quatro capítulos pela minissérie ‘Gonzaga – de pai pra filho’, versão para a televisão do filme de Breno Silveira com roteiro de Patricia Andrade e colaboração de George Moura. A coprodução da Rede Globo com a Conspiração Filmes comemora o centenário do cantor. A partir de amanhã, 15 de janeiro, o telespectador vai conhecer a trajetória do Rei do Baião e a sua relação com seu filho, um dos maiores símbolos da MPB.
A história
A mesma música que os uniu e os consagrou também os distanciou. O pai põe o pé na estrada à procura do seu destino e deixa o menino ainda pequeno, órfão de mãe, para os padrinhos criarem no morro de São Carlos. São inúmeros os desencontros. Mesmo assim, sempre que esse pai reaparece, faz brilhar os olhos do seu moleque. Um amor incondicional, embora contido, mas verdadeiro, humano, e que se faz infinito.
Ao percorrer as idas e vindas de uma relação marcada por desencontros, ‘Gonzaga – de pai pra filho’, fala também da integração do Brasil por meio da música e do afeto. Entre a cidade pernambucana de Exu e o morro carioca de São Carlos existe uma distância que só o amor e a admiração são capazes de superar.
Uma história de amor, de dois homens que viveram intensamente suas paixões: o palco e a estrada. E, através da música, fizeram um inventário das próprias vidas.
Os três Gonzagas e os três Gonzaguinhas
Para o diretor Breno Silveira, um dos maiores desafios de ‘Gonzaga – de pai pra filho’ foi escolher os três atores que interpretariam as diferentes fases da vida de Luiz Gonzaga e revelou que eles chegaram a ter cinco mil candidatos a Gonzagão.
Land Vieira, o único dos três que já era ator, interpreta Luiz Gonzaga dos 17 aos 23 anos. O sanfoneiro Chambinho do Acordeon embarca em sua primeira experiência como ator no papel do Rei do Baião dos 27 aos 50 anos.
Adelio Lima, agente cultural do Museu Luiz Gonzaga aqui em Caruaru, foi o escolhido para interpretar Gonzaga aos 70 anos e recebeu o elogio do diretor.
O ator interpreta o músico dos 35 aos 40 anos. Giancarlo Di Tommaso vive Gonzaguinha dos 17 aos 22 anos. E outro caruaruense, Alisson Santos, dos 10 aos 12 anos.
O filme e a microssérie
Adélio Lima no Rio de janeiro, na semana passada, com elenco e produção apresentando a Mini-Série Gonzaga - De Pai Pra Filho.O projeto do filme nasceu em 2005, quando as produtoras Marcia Braga e Maria Hernandez, que assinam o argumento do longa, apresentaram para o diretor Breno Silveira fitas cassetes gravadas por Gonzaguinha, em que ele tentava resgatar a história de seu pai. A minissérie contará com cenas e arquivos inéditos além de um novo prólogo.
Além dos atores Chambinho do Acordeon, Nanda Costa, Julio Andrade, a minissérie conta com a participação especial de Domingos Montagner, Cecília Dassi, João Miguel e Zezé Motta.

O longa de Breno Silveira, levou mais de 1 milhão de espectadores aos cinemas. E em nossa cidade também foi recordista de público.
No primeiro capítulo, pai e filho se reencontram após vários anos. Gonzaguinha (Julio Andrade) viaja para Exu, em Pernambuco, para tentar ajudar seu pai, levando um contrato de show, mas Gonzagão (Adélio lima) se recusa a assinar. Para tentar se aproximar do filho, ele começa a contar fatos marcantes de sua vida, como seu primeiro amor, Nazinha (Cecilia Dassi), cujo romance foi proibido pelo pai dela, o coronel Raimundo (Domingos Montagner). Após desafiar o coronel e correr o risco de morte, Gonzagão (Land Vieira) foge de Exu e se alista no exército. Oito anos depois, segue para o Rio de Janeiro e, na boate Dancing Days, vê pela primeira vez a dançarina Odaléia Guedes (Nanda Costa).
No segundo capítulo, exibido no dia 16, Gonzaguinha (Julio Andrade) continua a entrevistar o pai, e pergunta como ele conheceu a sua mãe. Gonzagão (Adélio lima) conta que, no Rio de Janeiro, tentou no início ganhar a vida tocando fado em bares e também no programa de rádio de Ary Barroso, mas as coisas só começam a melhorar quando troca o fado pelo baião. Com a vida mais estável, ele volta ao Dancing Days e tira Odaléia (Nanda Costa). para dançar. Os dois iniciam um romance cheio de conflitos, mas, com a notícia da gravidez da moça, a carreira de Gonzagão começa a decolar. Por outro lado, Odaléia adoece, e o filho, Luizinho, fica sob os cuidados do pai. Após a morte de Odaléia, Gonzagão o leva para morar com um casal de amigos, Dina (Silvia Buarque) e Xavier (Luciano Quirino), no Morro de São Carlos, enquanto viaja para fazer shows. Para tentar refazer sua vida, ele volta pela primeira vez a Exu desde que deixou a cidade.
Gonzagão está no auge do sucesso no capítulo três, que vai ao ar no dia 17, viajando pelo país com suas apresentações. Neste período, ele conhece Helena (Ana Roberta Gualda), uma fã que logo se torna sua assistente pessoal. Os dois se casam, e Gonzagão leva a família para morar com eles. O último capítulo mostra que a passagem do tempo tornou ainda mais dura a relação entre pai e filho. Após anos no colégio interno, Gonzaguinha (Giancarlo Di Tommaso) está cada dia mais diferente de Gonzagão. As desavenças aumentam, e uma nova tentativa de aproximação fracassa. Ele tenta morar novamente com o pai, mesmo com a desaprovação de Helena, mas os dois logo se desentendem. Gonzaguinha sai de casa e jura não mais depender do pai para nada. As lembranças deste período trazem ressentimentos à tona, e o clima entre pai e filho esquenta, mas a conversa franca torna possível a reconciliação. Em 1981, os dois sobem ao palco pela primeira vez juntos.
A minissérie traz mais cenas de arquivo e o áudio de uma antiga entrevista de Gonzagão em que ele anuncia em um show que vai voltar a morar em Exu, sua terra natal, e cantarola “Pé de Serra”: “Lá no meu pé de Serra/ Deixei ficar o meu Sertão/ ai que saudade eu tenho/ Eu vou voltar pro meu sertão”.
Vamos assistir, rever a história, ter a mente e o coração aberto para, se necessário, buscar nos reconciliar com nossos semelhantes e principalmente prestigiar o talento de nossos atores.