Luiz Gonzaga e Gonzaguinha, pai e filho, se encontram e se perdem muitas vezes até se conhecerem de verdade.
Por Paulo Nailson*
A história dos dois será contada em
quatro capítulos pela minissérie ‘Gonzaga – de pai pra filho’, versão
para a televisão do filme de Breno Silveira com roteiro de Patricia
Andrade e colaboração de George Moura. A coprodução da Rede Globo com a
Conspiração Filmes comemora o centenário do cantor. A partir de amanhã,
15 de janeiro, o telespectador vai conhecer a trajetória do Rei do Baião
e a sua relação com seu filho, um dos maiores símbolos da MPB.
A história
A mesma música que os uniu e os consagrou
também os distanciou. O pai põe o pé na estrada à procura do seu
destino e deixa o menino ainda pequeno, órfão de mãe, para os padrinhos
criarem no morro de São Carlos. São inúmeros os desencontros. Mesmo
assim, sempre que esse pai reaparece, faz brilhar os olhos do seu
moleque. Um amor incondicional, embora contido, mas verdadeiro, humano, e
que se faz infinito.
Ao percorrer as idas e vindas de uma
relação marcada por desencontros, ‘Gonzaga – de pai pra filho’, fala
também da integração do Brasil por meio da música e do afeto. Entre a
cidade pernambucana de Exu e o morro carioca de São Carlos existe uma
distância que só o amor e a admiração são capazes de superar.
Uma história de amor, de dois homens que
viveram intensamente suas paixões: o palco e a estrada. E, através da
música, fizeram um inventário das próprias vidas.
Os três Gonzagas e os três Gonzaguinhas
Para o diretor Breno Silveira, um dos
maiores desafios de ‘Gonzaga – de pai pra filho’ foi escolher os três
atores que interpretariam as diferentes fases da vida de Luiz Gonzaga e
revelou que eles chegaram a ter cinco mil candidatos a Gonzagão.
Land Vieira, o único dos três que já era
ator, interpreta Luiz Gonzaga dos 17 aos 23 anos. O sanfoneiro Chambinho
do Acordeon embarca em sua primeira experiência como ator no papel do
Rei do Baião dos 27 aos 50 anos.
Adelio Lima, agente cultural do Museu
Luiz Gonzaga aqui em Caruaru, foi o escolhido para interpretar Gonzaga
aos 70 anos e recebeu o elogio do diretor.
O ator interpreta o músico dos 35 aos 40
anos. Giancarlo Di Tommaso vive Gonzaguinha dos 17 aos 22 anos. E outro
caruaruense, Alisson Santos, dos 10 aos 12 anos.
O filme e a microssérie
O projeto do filme nasceu em 2005, quando
as produtoras Marcia Braga e Maria Hernandez, que assinam o argumento
do longa, apresentaram para o diretor Breno Silveira fitas cassetes
gravadas por Gonzaguinha, em que ele tentava resgatar a história de seu
pai. A minissérie contará com cenas e arquivos inéditos além de um novo
prólogo.
Além dos atores Chambinho do Acordeon,
Nanda Costa, Julio Andrade, a minissérie conta com a participação
especial de Domingos Montagner, Cecília Dassi, João Miguel e Zezé Motta.
O longa de Breno Silveira, levou mais de 1
milhão de espectadores aos cinemas. E em nossa cidade também foi
recordista de público.
No primeiro capítulo, pai e filho se
reencontram após vários anos. Gonzaguinha (Julio Andrade) viaja para
Exu, em Pernambuco, para tentar ajudar seu pai, levando um contrato de
show, mas Gonzagão (Adélio lima) se recusa a assinar. Para tentar se
aproximar do filho, ele começa a contar fatos marcantes de sua vida,
como seu primeiro amor, Nazinha (Cecilia Dassi), cujo romance foi
proibido pelo pai dela, o coronel Raimundo (Domingos Montagner). Após
desafiar o coronel e correr o risco de morte, Gonzagão (Land Vieira)
foge de Exu e se alista no exército. Oito anos depois, segue para o Rio
de Janeiro e, na boate Dancing Days, vê pela primeira vez a dançarina
Odaléia Guedes (Nanda Costa).
No segundo capítulo, exibido no dia 16,
Gonzaguinha (Julio Andrade) continua a entrevistar o pai, e pergunta
como ele conheceu a sua mãe. Gonzagão (Adélio lima) conta que, no Rio de
Janeiro, tentou no início ganhar a vida tocando fado em bares e também
no programa de rádio de Ary Barroso, mas as coisas só começam a melhorar
quando troca o fado pelo baião. Com a vida mais estável, ele volta ao
Dancing Days e tira Odaléia (Nanda Costa). para dançar. Os dois iniciam
um romance cheio de conflitos, mas, com a notícia da gravidez da moça, a
carreira de Gonzagão começa a decolar. Por outro lado, Odaléia adoece, e
o filho, Luizinho, fica sob os cuidados do pai. Após a morte de
Odaléia, Gonzagão o leva para morar com um casal de amigos, Dina (Silvia
Buarque) e Xavier (Luciano Quirino), no Morro de São Carlos, enquanto
viaja para fazer shows. Para tentar refazer sua vida, ele volta pela
primeira vez a Exu desde que deixou a cidade.
Gonzagão está no auge do sucesso no
capítulo três, que vai ao ar no dia 17, viajando pelo país com suas
apresentações. Neste período, ele conhece Helena (Ana Roberta Gualda),
uma fã que logo se torna sua assistente pessoal. Os dois se casam, e
Gonzagão leva a família para morar com eles. O último capítulo mostra
que a passagem do tempo tornou ainda mais dura a relação entre pai e
filho. Após anos no colégio interno, Gonzaguinha (Giancarlo Di Tommaso)
está cada dia mais diferente de Gonzagão. As desavenças aumentam, e uma
nova tentativa de aproximação fracassa. Ele tenta morar novamente com o
pai, mesmo com a desaprovação de Helena, mas os dois logo se
desentendem. Gonzaguinha sai de casa e jura não mais depender do pai
para nada. As lembranças deste período trazem ressentimentos à tona, e o
clima entre pai e filho esquenta, mas a conversa franca torna possível a
reconciliação. Em 1981, os dois sobem ao palco pela primeira vez
juntos.
A minissérie traz mais cenas de arquivo e
o áudio de uma antiga entrevista de Gonzagão em que ele anuncia em um
show que vai voltar a morar em Exu, sua terra natal, e cantarola “Pé de
Serra”: “Lá no meu pé de Serra/ Deixei ficar o meu Sertão/ ai que
saudade eu tenho/ Eu vou voltar pro meu sertão”.
Vamos assistir, rever a história, ter a
mente e o coração aberto para, se necessário, buscar nos reconciliar com
nossos semelhantes e principalmente prestigiar o talento de nossos
atores.