terça-feira, 20 de dezembro de 2011

VERAEADOR CORAGÉM: QUE DENUNCIOU MENSALÃO DE VILA FLOR CONCEDE ENTREVISTA A TRIBUNA DO NORTE

Em entrevista ao Jornal Tribuna do Norte, o vereador Floriano Felinto (DEM) falou sobre o esquema de corrupção no município de Vila Flor e a denúncia do suposto esquema e gravações das negociações.
“Fui criticado pelos colegas, que diziam que política é negócio”. Alguns diziam com todas as letras: “não estou nem aí para a opinião do povo”, disse Floriano.
Confira a entrevista:
Toda a investigação que gerou a operação do Ministério Público em Vila Flor começou a partir de uma denúncia do senhor. Como foi que isso começou?
Com a aproximação do período de campanha, com a péssima administração, eles me procuram porque era o único membro da oposição na cidade. Para mim não foi novidade. Jamais me corromperia, mas chega uma hora em que é preciso usar da inteligência. Como havia a oferta por parte da administração, o jeito foi procurar a Justiça para que fosse desmontada essa quadrilha. Já havia procurado o Ministério Público, mas foi aberto inquérito civil naquela lentidão. Procuramos o Ministério Público em Natal e me dispus, com autorização judicial, nós gravarmos toda negociação. Com a corrupção, Vila Flor havia se transformado em um mar de lama.
Então, o senhor fingiu que estava interessado no que eles estavam oferecendo e fez a gravação, foi isso?
Assim como eles tinham interesse em tentar me corromper, era obrigado a simular o mesmo interesse. Nós marcávamos encontros com eles, ouvia o que tinham para oferecer e em momento nenhum exigia nada. Ia mais para ouvir do que para falar. Nosso interesse era provar a rede de corrupção e não fazer parte dela.
Quanto foi oferecido para o senhor?
O prefeito tinha o compromisso de pagar o “mensalão”, que era de R$ 500 – isso a cada mês. Ele ofereceu ainda R$ 1 mil para “quebra o galho”. Além desses valores, foi me oferecido três empregos, que eu indicaria quem quisesse para ganhar sem trabalhar. Ofereceu novamente os empregos das pessoas que ele colocou para fora devido a perseguições políticas. O prefeito deixa claro outros favorecimentos, como combustíveis, medicamentos, um dinheiro na hora de um aperto. Ofereceu uma série de favores também para outros vereadores. Estavam querendo até tirar outro vereador da negociação, o Ronildo [Ronildo Luiz da Silva], porque o pai dele é pré-candidato à vice-prefeitura no próximo ano. Como o Ronildo seria um adversário futuro, o prefeito já estava buscando a sua desarticulação.
Qual a origem desse dinheiro oferecido pelo prefeito?
O dinheiro era (proveniente) de recurso público. As despesas eram tão exorbitantes, que o prefeito não teria condições de arcar.
Como foi o processo de gravação desses vídeos que incriminaram os vereadores e o prefeito?
O Ministério Público ofereceu o equipamento para a gravação, conforme autorização judicial.
O senhor tem medo de represálias?
É inegável que corro risco de vida, já fui alvo de ameaças. Fiz denúncias sobre isso que se encontram hoje na Comarca de Canguaretama. O procedimento de investigação disso não está andando. Nem por isso deixaria de denunciar. Imagine se todo mundo se acovardar. Em Vila Flor, a corrupção está escancarada. Isso é fato notório, de conhecimento de todos. Mas o povo tem medo das represálias e da Justiça não tomar atitude nenhuma. O Ministério Público está de parabéns pelo trabalho sério realizado. Também parabenizo o Tribunal de Justiça, porque sabemos que a influência política existe, mas deu tudo certo. Isso é prova que a justiça existe e isso motiva a sociedade a lutar. Jamais silenciar. Espero que esse caso sirva de exemplo. Fui criticado pelos colegas, que diziam que política é negócio. Alguns diziam com todas as letras: “não estou nem aí para a opinião do povo